2 de fevereiro de 2016

Sobre a “Nota da ‘Alternativa Metroviária’, diretores independentes e ativistas da categoria” do dia 15/01/2016.


Tornou-se pública, na madrugada do dia 15/01, nota sobre um suposto ataque de “Black Blocs” contra os metroviários da estação Consolação do Metrô após o 3° Ato contra as Tarifas. Nota de transparente caráter conservador e corporativo emitida por setores do seu sindicato.
Denúncia assinada por seguranças do Metrô que agrediram estudantes no final de 2015 durante o período das ocupações das escolas contra a reorganização imposta pela SEE-SP. Os mesmos que logo após o término do 3° Ato violentaram com cassetetes jovens que tentaram pular a catraca. Fatos comprovados a partir de denúncias, fotos e vídeos nas redes sociais.
Lembremos também que a direção desse sindicato (PSTU), durante as jornadas de Junho de 2013, atividades do MPL e atos contra a Copa do Mundo, não liberaram as catracas do metrô para os manifestantes. Mas, curiosamente, quando a direita fascista faz seu desfile, há direito ao passe livre no metrô. Essa mesma direção sindical que durante sua última greve pediu apoio de toda a sociedade para sua justa causa. Parte da juventude combativa e autônoma atendeu ao seu chamado e somou nessa, mas quando precisou de reciprocidade ela não aconteceu. Trancaram os portões do sindicato e os jovens foram ofertados à PM no ato contra a Copa do Mundo em 2014. Temos certeza absoluta que o conjunto dos trabalhadores metroviários não corrobora com essas práticas da direção sindical.
Existe significativa literatura sobre o que é a “tática Black Bloc” conceitualmente e reflexões sobre sua utilização. Não faremos aqui defesa ou condenação, muito menos criminalizar, reproduzir o senso comum e os mesmos preconceitos que as mídias oficiais e o Estado praticam.
Nessa mesma nota percebe-se divulgação do “Bloco de Lutas...”. Mais uma oportunidade para se distanciar do MPL (conivente com os “mascarados”), e para transparecer confiança e responsabilidade na intenção de assumir papel de porta-voz e negociador da pauta das tarifas aos governos e ao capital.
Fiquemos atentos camaradas!


Sobre o “Bloco de Luta Contra o Aumento de São Paulo”


Em 13/01/2016 aconteceu uma plenária convocada por diversas entidades no Sindicato dos Metroviários de SP. Estavam na chamada, em ordem alfabética: Aliança Anarquista, Anel, Bloco Resistência Socialista, CAELL, Cahis (História-USP), CALC (ECA-USP), CASSFMU, Coletivo Ana Montenegro, Coletivo BOOBÁ, Coletivo Construção, Coletivo Domínio Público de juventude, Coletivo Negro Minervino de Oliveira, Coletivo Primavera Socialista, CSP-Conlutas, CST- PSOL, DCE-USP, Enesso, Escola Estadual 23 de Maio, Escola Estadual Fernão Dias, Escola Estadual Godofredo Furtado, Espaço Socialista, Esquerda Marxista, Frente Regional de Lutas de Osasco, Juntos, Juventude às Ruas, Juventude Vamos a Luta, LS - PSOL, LSR - PSOL, MES - PSOL, Metroviários pela Base, MPL, Movimento Negação da Negação, Movimento Mulheres em Luta, Movimento Reviva - PUC, MRT, Núcleo Anarquista da USP, Pastoral Operaria, PCB, PSTU, Quilombo Raça e Classe, Renovação Sindical, Rizoma / Enfrentamento, Sindicato dos Metroviários, Sindsep, Sintusp, Território Livre, Ubes, UJC, Unidade Classista, Unidos pra Lutar, Upes, UST. O MAE também esteve presente, mas como observador.
A plenária ocorreu no mesmo lugar onde, em 2014, num dos primeiros atos Contra a Copa do Mundo, manifestantes foram impedidos de entrar pela direção do sindicato e ficaram do lado de fora sendo massacrados pela PM.
O encontro foi dirigido pelo PSTU e ocorreu numa tranquilidade bovina. Não houve sequer um desacordo. Sempre que uma entidade se pronunciava a seguinte corroborava a anterior e acrescentava algo. Houve um pseudodebate acerca de perfumarias. O essencial, aparentemente, estava previamente acordado entre as lideranças das organizações presentes. A plenária serviu apenas para legitimar a existência do “Bloco de Luta...” diante das dezenas de presentes, e dar uma face democrática para sua criação.
Foi constituído o “Bloco de Luta...” que abarca, majoritariamente, parte significativa da esquerda institucional capitaneado por PSTU e PSOL. Os mesmos que deixam os interesses partidários acima das necessidades das categorias onde fazem parte da direção sindical. Eles, que se evadiram, mas de “forma organizada” como disse o dirigente sindical dos metroviários que conduziu a reunião, da Avenida Paulista em Junho de 2013, assim como o MPL também o fez. Além de abandonar a pauta original de extinção das tarifas, ofertaram o movimento de massas, os trabalhadores e as ruas, naquela oportunidade, para a direita fascista quando havia correlação de forças para fazer o enfrentamento. E agora, em função disso também, mas não apenas, nossos inimigos de classe tomaram gosto pelo desfile público.
A criação do “Bloco de Luta...” evidencia o início de uma divisão entre a esquerda institucional e o MPL. E isso até demorou a acontecer. Mesmo tendo divergências sobre a atuação do MPL, principalmente desde Junho de 2013 acreditamos que seus métodos de organização e ação ainda são incompatíveis com as estratégias da esquerda parlamentar. Não vamos entrar no mérito dessa questão agora, pois esse não é o objetivo no momento.
Aproveitando o momento de evidente crise, da criminalização da tática Black Bloc, da brutal repressão do Estado e dos traumas gerados pela sua violência, surge o “Bloco de Luta” que vê uma oportunidade para, possivelmente, dividir o movimento e futuramente tentar dirigi-lo. O momento é o mais propício para isso. Jovens nas ruas, almas e mentes para conquistar, a tão falada crise de representatividade, necessidades partidárias à vista. Terreno fértil para a burocracia eleitoreira atuar e engordar suas fileiras. Isso se indicava logo após o 1° Ato quando entidades, algumas citadas acima, passaram a criticar publicamente o MPL caracterizado como incompetente e despreparado para dirigir a luta, desorganizado, complacente com os mascarados, antidemocrático. Denunciaram clima de insegurança nas suas atividades. Nem vamos entrar no mérito das críticas, pois não somos advogados do MPL e também discordamos de algumas de suas práticas. De início o “Bloco de Lutas” fez um “pré-ato” na Praça da Sé antes do 3° Ato no Teatro Municipal indicando seus militantes a se concentrarem lá, fragilizando a concentração no Largo da Batata. Sinalizaram também o desejo de fazer atos próprios e convocaram uma nova plenária para o dia 19/01 no mesmo local.
Queremos deixar claro que a divisão do movimento enfraquece a luta. Defendemos e fomentamos a liberdade de organização, mas condenamos energicamente qualquer tipo de oportunismo eleitoreiro, parasitismo e autopromoção nas lutas. Apesar de todas as diferenças ideológicas só conseguiremos avançar na conquista das pautas, nesse momento, com unidade. Esse assunto será abordado futuramente, mas para finalizar, foi decepcionante ver camaradas, por ingenuidade ou convicção política, da Aliança Anarquista, Núcleo Anarquista da USP e Rizoma sendo avalistas do “Bloco de Lutas...” composto e dirigido, principalmente, por quem sempre foi avesso às lutas autônomas.
Fiquemos atentos camaradas!


13 de junho de 2015

EM SÃO PAULO, BUROCRACIA SINDICAL ACABA A GREVE DOS PROFESSORES, MESMO SOB FORTE ATAQUE DO GOVERNO DE GERALDO ALCKMIN/PSDB

Passados 3 meses e 2 dias, greve dos professores do Estado de São Paulo foi encerrada sem nenhuma proposta por parte do governador Geraldo Alckmin/PSDB. Admitindo o enfraquecimento do movimento grevista e, ao mesmo tempo, para tanto, sem conseguir disfarçar sua articulação na desmobilização política, a burocracia sindical anunciou o fim.
O movimento grevista que em seu início havia adquirido força (grande adesão do professorado), foi se consumindo, sob a articulação da burocracia. Seu descenso não deveu-se apenas aos contínuos ataques (não pagamento dos dias parados, substituição de professores grevistas, terror político sob ameaça de quebra de contrato e exonerações...) do governo do PSDB, mas também devido aos descaminhos adotados pela burocracia: nenhuma radicalização, aliás, nenhuma ação que fugisse ao seu controle, retirada da luta do campo político para o campo jurídico e, principalmente, o que poderia ter mantido a chama da luta acesa, faltou aplicar o dinheiro necessário no fundo de greve para os professores lutadores se manterem na luta.
Essas medidas, pesaram sobremaneira à greve. Atrofiaram seu belo vigor. Em sua fase final, um destacado setor do professorado grevista, por mais que resistisse contra o chamado para o fim da greve, por mais que argumentasse contra seu término, seus argumentos já não encontravam lastro que se sustentassem mediante a desesperança que as medidas fascistas do governo haviam criado e a insatisfação e a raiva que a burocracia tinha provocado. Tudo isso foi difícil de conter sem ao menos gerar um nó na garganta.
Na penúltima assembleia, o movimento evidenciou os sinais da temperatura dos ânimos dos lutadores. Uma expressiva parcela defendeu a continuidade da greve, tendo para isso enfrentado na porrada e expulsado sob gritos os bate-paus dos seguranças pagos (com o dinheiro dos associados) pela burocracia sindical para impedir os professores da base de terem estes o direito de falar no carro de som nas assembleias. Impressiona o resultado que a força política é capaz de fazer: a pressão exercida por setores independentes descontentes com a proposta de encerramento da greve - feita por setores ditos de oposição, em conluio com a articulação - foi tão intensa que, naquele momento, mudou o quadro da decisão da votação sobre o fim da greve, tendo passado como proposta vencedora sua continuidade.
Contudo, apesar do esforço da resistência combativa, o movimento - observado como um todo - já estava em descaminho a largos passos, o que o colocava em condições quase irreversíveis, difíceis de serem contornadas, tamanho era o abalo e o desânimo nos olhos do professorado grevista.
A política fascista do governo e as medidas burocráticas que atravancaram a luta por parte da burocracia sindical, consequentemente, levavam à derrota uma greve histórica que começou e terminou tão aguerrida.
Como na luta de classes nada se perde, tudo é aprendizado, essa greve não se encerra sem deixar como saldo político o orgulho numa grande parcela do professorado de ter vencido seu medo de ir à luta. E, principalmente, a consciência de que a greve é apenas uma das ações políticas aplicadas na luta, e que ela é transitória, mas a luta é contínua!